domingo, 1 de novembro de 2009

Revolução Inglesa

Introdução – A REVOLUÇÃO INGLESA:
Este trabalho tem como objetivo mostrar de uma forma geral como se deu este processo revolucionário do século XVII, tendo como objetivo destacar as idéias mais radicais que tentaram “virar o mundo de ponta-cabeça”¹. Sendo assim, vários aspectos serão propositalmente olhados de forma superficial para que se possa dar espaço para as idéias revolucionárias pouco difundidas hoje, as quais não estão presentes em livros didáticos, mesmo estas tendo sido as mais inovadoras que rondaram o mundo naquele momento.

Será utilizada aqui a expressão Revolução Inglesa para tratar dos dois momentos revolucionários da Inglaterra, de 1640 a 1649, muito conhecido como Revolução Puritana e do ano de1688 chamado de Revolução Gloriosa, compartilhando assim da opinião do historiador José Jobson Arruda, apontando ambos momentos como parte do mesmo processo revolucionário, um sendo complemento do outro.


1 – Expressão cristã muito usada por Christopher Hill em suas obras sobre a Revolução Inglesa.


1ª parte: Rei não governa sem cabeça:
“Ficou provado pela experiência que a função do Rei neste país é inútil, onerosa e um perigo para a liberdade, a segurança e o bem-estar do povo; por isso, de hoje em diante, tal função fica abolida”.¹

Amigo do anticristo, péssimo governante, despótico. Esses eram os adjetivos mais comuns usados contra o rei da Inglaterra. Um sentimento vindo de baixo para cima lotou o exército com as aspirações mais audazes possíveis para a época: queria-se a cabeça do Rei, pois representava além de tudo ameaça constante de restauração.

Os escalões mais baixos do exército, interpretando a Bíblia a sua maneira, diziam que se não derramassem o sangue do rei, o qual causou tanta desgraça, Deus lhes puniria. Era preciso matar esse ser maléfico para conseguir a graça divina. Embora os altos oficiais não tenham gostado muito da idéia, ela se propagou com facilidade e ganhou a maioria.

Manifestações explodiram pedindo a decapitação do mal. No dia 30 de janeiro de 1649 o rei Carlos I foi executado. Seu sangue banhou um dos momentos mais radicais e inovadores na história da Europa. Nunca antes se havia feito uma revolução! Nunca antes os populares puderam levar um rei ao julgamento e à condenação.

Esse momento não ocorreu de forma isolada, fatores econômicos, políticos, sociais e ideológicos estavam intrinsecamente ligados a ele e fizeram parte de toda a Revolução Inglesa. Cabe agora analisá-los brevemente.


1 – Comunicado emitido pela Câmara dos Comuns a 7 de fevereiro de 1649.

Parte 2: Nem Do Contrato Social, nem Manifesto Comunista. A Bíblia ditava a Revolução, a Revolução ditava a Bíblia:
“No século XVII, todos liam a bíblia, que havia sido traduzida para o inglês bastante recentemente. Todos que sabiam ler pensavam que toda a verdade estava contida na Bíblia".¹

É preciso ter em mente que quando começam os processos revolucionários ingleses, o trato com a Bíblia não era mais medievalista. Os reformistas já haviam plantado a semente da livre interpretação e isso ganhou grande espaço na Inglaterra. Todos liam e sabiam de cor a Bíblia. Nela estavam contidas as respostas para todos os problemas, as repostas sobre como seria o fim do mundo, sobre quando Jesus iria voltar.

Ler a Bíblia e achá-la detentora de toda a verdade era mais do que comum. Não se tinha o hábito de questionar se o que estava escrito ali era verdade ou não. Praticamente todos tinham certeza de sua veracidade! Tanto que, estudiosos de renome como John Milton e Isaac Newton entregaram grande parte de sua vida para estudá-la a fundo. Newton, por exemplo, era considerado por muitos o maior cientista de sua época e hoje é lembrado pelas suas contribuições para a Física, porém, perdeu mais tempo de sua vida pesquisando a data do fim do mundo do que com a ciência que o deixa vivo ainda hoje.

Todos nesta época tinham certeza que o mundo iria acabar e esse fim estava muito próximo. A data predileta para os estudiosos do apocalipse era por volta de 1650. Esperava-se que Cristo fosse surgir pela Terra. Antes de o redentor privilegiar os homens modernos com sua presença era necessário derrubar o anticristo. Todos os protestantes sabiam muito bem quem era o demônio. Ele estava em Roma: era o papa. Pensar em matá-lo, fazia parte da teoria revolucionária.

A Bíblia forneceu também, aos radicais, as bases para que começassem a pensar em igualdade, em reforma agrária. É importante notar que, diferente da Revolução Francesa de 1789, os revolucionários ingleses não tinham um Rousseau, um Voltaire. Diferente da Revolução Russa de outubro de 1917, eles não tinham um Engels, tampouco um Marx. Ou seja, não se tinha nenhum teórico falando em revolução social. Na verdade, nem se usava a palavra Revolução para caracterizar mudanças sociais radicais. Revolução, na época, era apenas a movimentação circular dos astros, nada mais que isso. Seria na Inglaterra que a palavra começaria a ganhar sua nova conotação.


1 – HILL, Christopher. Virando o mundo de ponta-cabeça: o outro lado da revolução inglesa. Revista Varia História, BH, nº14, set/95.

Parte 3: As práticas econômicas inglesas antes da Revolução:
A Revolução Inglesa antecipou em cerca de 150 anos o conjunto de movimentos históricos que costumam ser chamados de Revoluções Burguesas. Os quais colocam fim ao absolutismo monárquico e elevam a burguesia definitivamente como classe dominante.

O mundo no qual ocorreu a Revolução Inglesa estava marcado por ações como acumulação primitiva de capital, exploração do trabalho escravo na América e Estado absolutista.

Falando especificamente da Inglaterra, pode-se citar as grandes transformações no campo como uma forte característica da época. A eliminação da posse feudal e a capitalização da agricultura começaram a ocorrer antes mesmo da Revolução. O confisco das terras católicas pela monarquia inglesa protestante beneficiou imensamente a nobreza e a gentry.¹

Os cercamentos (enclouseres) de grandes propriedades para pastos – o qual foi predominante – e de pequenas unidades agrícolas para o cultivo intensivo, além da alta dos preços, afetaram diretamente os camponeses e o êxodo rural tornou-se uma prática comum.

Com o êxodo rural veio a criação de diversos trabalhos marginais e o aumento assustador do número de desempregados. A coroa inglesa puniu com severidade os que não tinham onde trabalhar, acusando-os de vagabundagem. Porém, estava evidente uma desestabilização na estrutura social filha da capitalização do campo. Observando isso, restou ao rei tentar frear esse processo, criando várias leis que pusessem fim aos cercamentos, porém colocar fim a eles significava parar a caminhada de práticas capitalistas e deixar insatisfeitos vários grupos poderosos da população.

As camadas mais pobres se rebelavam por melhores condições. Revoltas camponesas violentas explodiram pelos campos ingleses, fazendo milhares de vítimas. Na segunda metade do século XVI o processo de cercamentos cairia de ritmo, porém, iniciado, jamais pararia.

José Jobson Arruda divide, didaticamente, da seguinte forma as terras inglesas:

Norte-oeste: marcados por grandes propriedades possuídas pela monarquia, pelo clero anglicano e pela grande aristocracia feudal. Não estavam integradas a economia de mercado e possuíam uma sociedade altamente conservadora. Sul-leste: produção voltada para o mercado. Presença de grandes proprietários aristocratas (gentry) e mesmo pequenos proprietários livres. Investimento capitalista na agricultura com proprietários vindos dos mais diferentes estratos sociais.

Quanto às indústrias² no século XVI, anterior a Revolução Inglesa, poucas eram as existentes na Inglaterra, encontravam-se algumas têxteis, de extração mineral e de construção naval. As outras eram realizadas apenas com base no trabalho de artesãos individuais. Somente no fim desse século e início do século XVII que o aumento do número de indústrias ocorre, muitas delas se deslocando para a zona rural e tendo como símbolo de prosperidade a lã.

A indústria inglesa organizava sua produção de forma variada, tendo 3 estilos básicos: artesanato, mestre manufatureiro e comerciante manufatureiro³.

No que tange o setor mercantil, até o século XVI as exportações inglesas eram fundamentalmente de matérias-primas, cereais, madeiras e, em menor escala, metais e couros. Na segunda metade do século XVI a exportação de alimentos declina e aumenta imensamente a exportação de tecidos. As atividades corsárias também ocuparam um lugar de destaque e proporcionaram uma boa quantidade de riquezas aos cofres ingleses.


1 – Gentry: Categoria social que se encontrava entre a aristocracia e a yomanry (estrato rural de riqueza mediana e extremamente numeroso – rendeiro livre). Sua composição social era variada, podendo acolher os filhos mais nobres da aristocracia, dos cavalheiros e os mais ricos yomanry. “A gentry não era apenas uma classe de proprietários agrícolas em formação, era uma ideologia em expansão” (p. 40. ARRUDA, J. A Revolução Inglesa). Geralmente é reconhecida como uma nova nobreza. Foi este grupo que conduziu o processo revolucionário, se posicionando próximo a burguesia, favorável ao Parlamento e contra a Monarquia.

2 – Não se deve entender indústria nesse momento como as grandes fábricas que viriam somente com a Revolução Industrial.

3 – Artesanato: Unidade doméstica de produção comum na época medieval. Constituída basicamente pela família do produtor. O artesão possui todos os meios indispensáveis a produção.

Mestre manufatureiro: É proprietário dos meios de produção e emprega mão-de-obra assalariada, transformando-se num pequeno empresário. A distância social entre patrão e empregado é reduzida pela solidariedade do trabalho.

Comerciante manufatureiro: Comerciante conhecedor do mercado que aplica capital mercantil nos domínios da produção industrial. Foi o capital saído das manufaturas que desenvolveu a indústria.

Parte 4: A sociedade e a política:
A Revolução Inglesa é antecedida pela crise do absolutismo e da aristocracia inglesa, esta última sendo uma das permanências medievais, a qual estava sendo ultrapassada em termos de riqueza pela gentry e enfraquecida pela Guerra dos Cem Anos¹ e pela Guerra das Duas Rosas². Os nobres não possuíam uma unidade. Durante a Revolução alguns apoiaram o rei, outros o Parlamento e ainda tiveram aqueles que tentaram ficar mais próximos de uma neutralidade.

Durante a dinastia Tudor³ ocorreu uma aproximação da monarquia com a burguesia, o que causou embates contra a nobreza. Ao subir ao poder a dinastia Stuart4, uma mudança aconteceu nesse sentido, pois os monarcas voltaram-se para a nobreza católica, causando insatisfação no Parlamento5.

Jaime I da Inglaterra, pertencente à dinastia Stuart, promoveu uma aproximação entre anglicanismo e catolicismo, o que foi favorável aos nobres. Nesse mesmo momento ocorreu uma radicalização entre os puritanos6, fragmentando-se em duas seitas principais: os presbiterianos que reivindicavam a Igreja desligada do Estado e os independentes ou congregacionistas que se opunham a qualquer forma de organização eclesiástica. Cada fiel era seu próprio pastor, livre para pregar a palavra divina. Os congregacionistas constituíam uma igreja mais democrática, desejo comum das camadas mais baixas da população.

Enquanto o século XVI na Inglaterra havia sido de prosperidade graças à entrada de matais preciosos vindos do Novo Mundo, o século XVII surgiu como um século de crise política e de estagnação econômica. Manifestações populares ocorreram por toda a Europa ocidental e central. Esses eram os reflexos da incompatibilidade de dois modos de produção: feudal e capitalista.

É no bojo dessa crise que ocorre a Revolução Inglesa.


1 – Guerra dos Cem Anos: diversos conflitos armados, interrompidos por tréguas e tratados de paz, iniciados em 1337 e que terminaram no ano 1453, entre as duas grandes potências européias da época: Inglaterra e França.

2 – Guerra das Duas Rosas: série de guerras civis dinásticas inglesas, disputadas entre as casas rivais de Lancaster e York de 1455 a 1485.

3 - dinastia que ocupou o trono da Inglaterra desde 1485 até 1603. Henrique VII foi o primeiro monarca Tudor. Os soberanos seguintes da dinastia Tudor foram: Henrique VIII, Eduardo VI, Maria I e Elizabeth I. Reunificaram o país depois de um período de conflitos civis e estabeleceram a Igreja Anglicana independente do Vaticano. A família Stuart a sucedeu no trono.

4 - Família real da Inglaterra e Escócia. Sua origem remonta ao século XII. Entre 1371 e 1714, 14 membros da dinastia Stuart dirigiram a Escócia, consecutivamente; os últimos seis governaram na Grã-Bretanha.
(Notas retiradas da Enciclopédia Encarta).

5 – Com a Carta Magna, os reis ingleses abdicaram da possibilidade de reivindicar o estatuto de rei por direito divino. Sendo assim, o poder de direito ficava com o Parlamento, embora muitas vezes o poder de fato fosse do rei.

6 – Calvinistas ingleses. Seguidores das idéias do reformador protestante francês João Calvino.

Parte 5: O aumento das contradições vai construindo a Revolução:
Jaime Stuart, rei da escócia, assumiu o trono inglês no ano de 1603 substituindo Elisabeth, última soberana da dinastia Tudor, sendo assessorado por um Conselho Privado composto de nobres de sua confiança. Nesse momento o Parlamento encontrava-se dividido em Câmara dos Lordes, composta por nobres e Câmara dos Comuns, composta por proprietários rurais, chamados comuns por não terem títulos de nobreza.

A sustentação financeira do Estado era o ponto mais importante da relação existente entre rei e Parlamento. Os monarcas Stuarts que governaram durante uma crise econômica, tentaram medidas não muito populares para superar esse difícil momento: elevação dos impostos alfandegários, empréstimos forçados, novas taxas, criação de monopólios sobre produtos estratégicos e de largo consumo.

Além disso, a desconfiança no seio do povo inglês aumentou consideravelmente por Jaime I estabelecer a paz entre Espanha e Inglaterra. É importante recordar que os puritanos (maioria da população) morriam de ódio pelos católicos e pelo papa e a Espanha era um país católico e, obviamente, próximo ao papa.

As contradições se expandem cada vez mais no meio da crise política, econômica e religiosa. No ano de 1610 a Coroa ofereceu ao Parlamento o Grande Contrato, pelo qual abdicava de seus direitos feudais em troca de receber um pagamento anual, porém houve grande discordância sobre qual seria o valor deste. Seguia-se também um desacordo quanto à colonização da Irlanda. A Londonderry Company, apoiada pelo Parlamento, era possuidora de um projeto capitalista para conduzir a colonização de uma forma que transformasse os irlandeses em mão-de-obra barata. Já a monarquia estava preocupada com a falta de terras para a pequena nobreza e queria implantar na Irlanda pequenos proprietários que ocupariam a terra e consolidariam a dominação inglesa. Outro conflito se deu quando a Projeto Cockayne foi lançado e deixou a indústria de tecidos sob poder da realeza. Rapidamente a burguesia mercantil realizou um boicote ao projeto, levando-o ao fracasso.

No ano de 1625 Carlos I assumiu o trono da França, largando a política de aproximação com a Espanha e casando-se com a princesa Henriqueta, francesa e católica. A oposição foi gigantesca.

O governo de Carlos I foi marcado pelo fechar e abrir do Parlamento. Logo que assumiu, ao receber oposição por sua proximidade com os católicos e sua postura contra os calvinistas resolveu dissolver o Parlamento. Em 1628 teve que mudar de postura, já que estava em guerra contra a França e reabriu o Parlamento para fortalecer a Inglaterra. Em 1929 o Parlamento foi fechado para só ser reaberto novamente em 1640.

Enquanto essas brigas entre rei e parlamento ocorriam, surgiu na história da Revolução um parlamentar com fama de incorruptível, eleito pelo condado de Cabridge. Chamava-se Oliver Cromwell, o qual se converteu no principal nome da Inglaterra na época.

A crise continuou assolando a Inglaterra no governo de Carlos I. A economia inglesa não ia bem e o rei apelou para o aumento de impostos. A guerra religiosa da Inglaterra anglicana contra a Escócia calvinista também manchava a figura do rei. Num mar de dificuldades caminhou-se até 1640 onde reabriu-se o Parlamentou mais duas vezes. José Jobson Arruda relata muito bem essa fase de decadência total da monarquia inglesa:

"Na sua política de valorização da beleza externa do culto religioso, Carlos I tentou impor o ritual anglicano à calvinista Escócia. Em 1639 um exército escocês invadiu o Norte da Inglaterra, após o pacto denominado ‘Convenant’, de 1638, pelo qual comprometiam-se a defender a Igreja Presbiteriana Livre da Escócia. O exército enviado por Carlos I acabou por se unir aos insurretos e reclamar o pagamento de seus soldos. Isto colocava a monarquia diante de uma falência iminente. Não restava outra alternativa a não ser reunir o Parlamento, que convocado em 1640 foi logo dissolvido, apenas três semanas após; este é o chamado Parlamento Curto (Short Parliament). Mas, em novembro, foi novamente reunido, o chamado Parlamento Longo (Long Parliament), que com algumas depurações permaneceu até 1653. Tinha início a Revolução Puritana de 1640.” (p. 73. ARRUDA, J. A Revolução Inglesa).

Parte 6: Rei contra Parlamento. Parlamento contra o Rei. Começa a primeira fase:
A primeira fase do movimento revolucionário vai de 1640, com a primeira reunião do Parlamento, até 1642, com a eclosão da guerra civil. Esse período é marcado pelo acirramento da disputa entre rei e parlamentares, sendo que estes últimos defendiam os interesses políticos da pequena e média empresa e dos comerciantes ricos.

Em reuniões permanentes o Parlamento foi destruindo o Antigo Regime. Aboliu a máquina burocrática que sustentava o Estado, perseguiu os assessores mais importantes do Rei, proibiu o monarca de manter um exército permanente, tomou para si o controle da política tributária e religiosa e através do Ato Trienal deixou expresso que os parlamentares deveriam ser convocados regularmente, ao menos de três em três anos, caso contrário, poderia haver autoconvocação.

Além dos embates entre Rei e Parlamento, a situação da Inglaterra era agravada, porque o próprio Parlamento estava fragmentado. O grupo mais conservador defendia a preservação da hierarquia eclesiástica e considerava que a fragmentação do poder real poderia se tornar algo perigoso. A burguesia passava a temer a sublevação dos populares, na qual se apoiava os grupos mais radicais do Parlamento.

No dia 3 de janeiro de 1642 Carlos I exigiu a prisão de 5 revolucionários do Parlamento, mas estes, antecipadamente avisados, se retiraram. O Parlamento convocou milícias urbanas para se defender e o Rei e seus partidários retiraram-se para Oxford, fazendo dali seu quartel general. Assim começou a Guerra Civil.

Parte 7: Estoura a Guerra Civil, segunda fase:
A Guerra Civil possuiu um aspecto de terror graças à intensidade dos vários conflitos que ocorreram. Realistas, também conhecidos como “cavaleiros”, duelaram contra os puritanos, também chamados de “cabeças redondas” devido ao corte de cabelo. Vários condados foram tomados por revoltas populares, as quais clamavam para que o parlamento se pusesse em oposição aos aliados do papa. Os camponeses, furiosos, deslocavam-se até mesmo para tomar as cidades.

Nos primeiros confrontos militares os defensores do Parlamento levaram grande desvantagem. Enquanto os cavaleiros eram militares profissionais, as milícias parlamentares eram despreparadas e quase perderam Londres.

Os rumos da guerra começaram a mudar com o Novo Modelo de Exército (New Model Army), criado por Oliver Cromwell. Esse novo modelo deu origem a milícias altamente revolucionárias para a época, onde a ascensão não dependia do berço no qual a pessoa havia nascido e sim de seus méritos militares.

Nos anos 1644 e 1645 os exércitos de Cromwell derrotaram os realistas. Logo no ano seguinte, 1646, o Parlamento ordenou a tomada de Oxford, levando o Rei Carlos I a fugir para a Escócia. Tal país, em troca de antigas indenizações que deveria receber, negociou a entrega de Carlos I à Inglaterra.

Os setores mais conservadores do Parlamento, geralmente presbiterianos, uniram-se ao Rei, pretendendo afastar as tropas inglesas para a Irlanda, sem que os militares recebessem pagamento. Todavia, antes que o plano fosse posto em prática, os baixos escalões, guiados pelo partido londrino dos Levellers (Niveladores) – defensores dos interesses dos pequenos proprietários – descobriram a trama. Conseguiram assim apoio, mesmo que receoso, das mais altas patentes militares. Formou-se um tripé dentro da Revolução: Exército, Parlamento e Rei possuíam idéias diferentes.

Em 1647 os militares capturaram o Rei, impedindo-o assim de fechar acordo com parlamentares reacionários. Foi criado pelas milícias um Conselho do Exército no qual oficiais e soldados eleitos eram tidos como iguais. Neste clima de vitória das idéias dos baixos escalões, os Levellers tentaram dar um golpe e assumir o comando do Exército, entretanto foram barrados pelas altas patentes que reagiram fechando o Conselho do Exército e liquidando com as aspirações democráticas que circulavam entre os militares.

O desentendimento no exército possibilitou a fuga do Rei da prisão, voltando a organizar milícias contra-revolucionárias. Percebendo o perigo, os militares se unificaram sobre a efígie de Cromwell, vencendo mais uma vez e rapidamente os realistas, prendendo novamente o Rei.

Posteriormente à vitória foram necessários os expurgos do parlamento, os quais puseram para fora mais de 100 realistas, quase todos presbiterianos.

Com o rei novamente preso, os baixos escalões do exército exigiram sua execução e conseguiram grande adesão, decapitando Carlos I no princípio de 1649.

No dia 19 de maio de 1649 a República foi proclamada, começava a fase do Commonwealth.

Parte 8: Commonwealth:
Oliver Cromwell foi quem assumiu o poder na Inglaterra, a qual cambiava sua forma monárquica para uma republicana. Porém, república essa que poderia ruir a qualquer momento, pois se encontrava rodeada de inimigos.

Os irlandeses aproveitaram-se do momento para realizar revoltas. Realistas conspiravam na Escócia e na Holanda para voltar ao poder. Levellers tentavam realizar uma revolução dentro da própria revolução. Sendo assim, Cromwell segurou com mãos-de-ferro a República. Os Levellers, por exemplo, foram esmagados e alguns historiadores apontam que esses haviam constituído o movimento mais democrático dentro do período revolucionário.

Nesse momento da história da Inglaterra estavam unidas gentry, alta e pequena burguesia contra as camadas mais pobres da população e os movimentos mais radicais. O período republicano foi tão ditatorial ou mais que o período monárquico, além disso, contou com maior habilidade política de Cromwell, o qual se fez de um maquiavelismo capaz de triturar grupos como os Diggers e rebeliões como a irlandesa. O próprio Cromwell comentou:

Proibi que poupassem aqueles que estivessem armados na praça. Mais ou menos dois mil homens foram passados esta noite a fio de espada. Todos os padres e monges foram mortos indistintamente (...) Estou persuadido de que é um justo castigo de Deus contra estes bárbaros que molharam sua mão em tanto sangue inocente. Isto evitará, acredito, o derramamento de sangue no futuro. São motivos para tais ações que, de outro modo, só poderiam inspirar remorso e arrependimento.¹

Um dos mais famosos feitos de Cromwell foram os Atos de Navegação de 1651. Um conjunto de decretos o qual estabeleceu que somente embarcações inglesas poderiam realizar o comércio de mercadorias procedentes da Inglaterra ou a ela destinada. Assim consolidou o domínio britânico nos principais mares. Embora tal domínio tenha sido combatido pelos Holandeses, estes foram derrotados depois de uma guerra contra os ingleses no ano de 1654.

O dia 20 de abril de 1653 ficou marcado novamente pelo fechamento do Parlamento. Oliver Cromwell fez uso das seguintes palavras: “Vós sois um parlamento? Há entre vós os bêbados, outros vivem desprezando os mandamentos de Deus (...) Ide e que não se ouça mais falar de vós. Em nome de Deus, ide!”² Abriu então uma assembléia que possuía apenas seus partidários, os quais fizeram uma nova constituição, dando a ele o título de Lord Protetor. Constava nessa nova constituição: ensino gratuito, liberdade de imprensa, voto secreto, voto feminino, mas censitário e um único Parlamento para Irlanda, Escócia e Inglaterra.

Foi no dia 3 de fevereiro de 1658 que uma suposta febre levou a vida de Cromwell embora. Sua ditadura havia recebido o apoio de militares e burgueses, os quais, mesmo vendo o fechamento do Parlamento e a dificuldade de expressão política, souberam suportar em troca de um momento favorável aos seus interesses econômicos.


1 – Discurso de Cromwell. MELLO, Leonel & COSTA, Luís César. História Moderna e Contemporânea. São Paulo. Editora scipcione. 6ª edição. P.73
2 – Discurso de Cromwell. MELLO, Leonel & COSTA, Luís César. História Moderna e Contemporânea. São Paulo. Editora scipcione. 6ª edição. P.74

Parte 9: A Restauração e a Revolução Gloriosa:
Com a morte de Oliver Cromwell a república ficou nas mãos de seu filho, Richard Cromwell, o qual esteve muito longe de ter a destreza política e militar do pai. Durou apenas 18 meses no poder, sendo deposto por uma revolta palaciana liderada pelos mais renomados chefes militares apoiados pelo Parlamento.

Em um clima de medo, já que todos tremiam diante da possibilidade de mais um grande derramamento de sangue, o general Monck restaurou a monarquia apoiado pela pequena nobreza escocesa e pelos parlamentares anglicanos. Assumiu o trono Carlos II, o qual concordou em se submeter a toda legislação que limitava o poder dos reis.

Não bastava a monarquia. Necessitava-se dar uma punhalada final na República para que todos vissem o quanto era odiada. Sendo assim, desenterraram o corpo de Cromwell e de alguns de seus mais fiéis homens da capela de Westminster, os enforcaram e posteriormente os decapitaram. Constituiu-se assim um ato extremamente simbólico e macabro de repúdio ao republicanismo e a tudo que ele representava.

Carlos II promoveu uma política de aproximação com os franceses. Mais uma vez levantaram-se várias camadas da população desconfiadas da amizade com os católicos. Isso levou o Parlamento a publicar em 1679 o Ato de Exclusão, expulsando os católicos dos postos do governo e cargos públicos.

Voltavam os impasses entre Parlamento e monarca. Em 1683 Carlos II decretou a dissolução do Parlamento, porém não governou a Inglaterra por muito mais tempo, pois morreu 2 anos depois.

Jaime II, irmão de Carlos II, assumiu o trono. Era um católico intransigente e quis estabelecer sua religião como a oficial e a volta do absolutismo.

Em 1688, depois de duas filhas (protestantes), a segunda esposa do já idoso Jaime II, que era católica, deu-lhe finalmente o esperado filho varão – que seria seu sucessor natural. Diante do “perigo católico” (absolutismo e aproximação com a França), o Parlamento uniu-se e resolveu oferecer a Coroa inglesa a um holandês, Guilherme de Orange, príncipe protestante casado com Maria Stuart, filha mais velha de Jaime II. Em troca pedia a manutenção do anglicanismo e um Parlamento livre.

Era novembro de 1688 quando Guilherme de Orange entrou na Inglaterra. Fácil vitória. Jaime II tomado pelo frio do medo buscou acolhimento na sua amiga França.

Quando foi coroado, Guilherme de Orange passou a chamar-se Guilherme III. Estava vitorioso um processo chamado de Revolução Gloriosa, por não ter necessitado do derramamento de sequer uma gota de sangue.

No ano de 1689 já estava instalada a monarquia constitucional na Inglaterra. Realeza submeter-se-ia definitivamente aos parlamentares. O Rei teve que jurar a Declaração dos Direitos, a qual assegurou ao Parlamento o direito de aprovar ou rejeitar impostos, garantir a liberdade individual e a propriedade privada. Dividiu os poderes em legislativo, executivo e judiciário.

PARTE 10: Para falar dos Radicais:
Cabe agora apresentar as idéias que circularam durante a Revolução Inglesa dos principais grupos radicais que foram perseguidos e massacrados por representarem os sonhos das camadas mais oprimidas da população no período conhecido como Commonwealth:

A) Levellers (Niveladores):

Chamavam-se assim graça a alguns de seus líderes que defendiam idéias bastante avançadas para a época, tais como igualdade de propriedade. Possuíam bastante força nos exércitos de Londres e em várias regiões próximas. Por diversas vezes tentaram aprovar constituições democráticas onde era prioridade o voto familiar, democratização dos governos locais e maior igualdade perante a lei.

No ano de 1647, em Putney, o líder Leveller chamado Lillburne rejeitou idéias coletivistas e apresentou um projeto político conhecido como Agreement of the People, onde propunha o comércio livre para os pequenos produtores; a extinção de qualquer tipo de monopólio; o fim do entrelaçamento entre Igreja e Estado; a abolição dos dízimos eclesiásticos; defesa da pequena propriedade; fim do aprisionamento por dívida; voto familiar (efetuando criados, pedintes e assalariados).

Os Levellers eram contra os cercamentos de terras, o que atraiu para junto deles os pequenos proprietários rurais e, apesar de não serem exatamente defensores dos que não possuíam propriedade, atraíram também, algumas vezes, as camadas rurais mais miseráveis.

Tiveram a oportunidade de assumir o controle militar no mês de novembro de 1647, porém foram impedidos pelas altas patentes do exército, pois suas aspirações eram radicais demais ao querer diminuir o abismo entre soldados e oficiais.

Segundo Christopher Hill os Levellers se posicionaram contra a execução do rei, causando divergências dentro do exército. Decidiram pela revolta contra o governo e foram severamente reprimidos no começo de 1649. Tal derrota significou o fim da existência política dos Levellers, embora seu nome tenha sido usado até o século XVIII.

B) Diggers ou True Levellers (Escavadores ou Verdadeiros Niveladores):

Os Diggers constituíram um grupo não muito grande, nem muito influente, porém suas idéias são extremamente importantes pelo grau de radicalização, tanto que vários anos depois alguns vão chamá-los de “comunistas do século XVII” e apontar que seu principal líder, Gerrard Winstanley, apresentou em pleno século XVII algumas idéias semelhantes as do filósofo alemão Karl Marx no século XIX.

Tal grupo era composto por homens pobres do vilarejo de Cobham Heath em Surrey, os quais estabeleceram uma comunidade agrícola, onde todas as terras estavam reunidas em posse comum. Toda a produção da comunidade era compartilhada entre todos os membros, o que agradou a muitas famílias pauperizadas que espalharam a idéia e em pouco tempo formaram dez comunidades semelhantes.

Infelizmente pouco se sabe sobre os Diggers, geralmente o que se conhece é graças ao importantíssimo teórico Gerrard Winstanley que deixou vários escritos que permitem conhecer um pouco de seu pensamento e de todo o grupo.

Receberam forte oposição e foram duramente reprimidos, pois suas idéias coletivistas assustaram tanto os proprietários mais ricos, como os pequenos proprietários. Seu esmagamento foi facilitado pelo pacifismo pregado pelos líderes Diggers que acreditavam que dando o exemplo de resistência através da paz comoveriam a todos que por fim se juntariam a eles. Obviamente tal fato jamais esteve próximo de ocorrer.

C) Ranters:
Ranter era o nome usado por pessoas que seguiam um conjunto de determinadas idéias sem a necessidade de estarem organizadas em um grupo. Algumas pessoas fazem um paralelo das práticas Ranters com as práticas anarquistas.

Há uma discordância entre os historiadores Christopher Hill e José Jobson Arruda ao observarem o pensamento religioso Ranter. Hill aponta que eles levaram ao extremo a idéia religiosa de que Deus está em todos nós e se deve escutar o que ele diz para agir. Para os Ranters não existia desvio de moralidade e ordens, tudo deveria ser feito se a pessoa tivesse a vontade de fazer, pois esta seria a vontade de Deus. Um ditado Ranter dizia que “você só será livre quando conseguir dormir com todas as mulheres como se ela fosse uma só mulher”. Já Arruda acredita que eles chegavam a rejeitar a idéia de Deus e a imortalidade.

Os Ranters tiveram uma fama grande, porém passageira. Muitos populares aderiram às idéias Ranters quando estes afirmaram que o roubo não era um crime. O historiador C. Hill diz que a seu ver os Ranters não eram um grupo político sério. Independente disso, o certo é que eles preocuparam as elites locais, pois se suas idéias ganhassem a maioria, ninguém mais conseguiria controlar as massas inglesas.

Em certo ponto tais idéias prejudicaram os outros grupos radicais, pois todos os que faziam oposição passaram a ser acusados de querer dividir as mulheres. Todavia, a febre Ranter foi realmente passageira, logo no final do século XVII em poucos lugares ainda se ouvia tal palavra.

D) Quakers:

No pensar sobre os Quakers, Christopher Hill toma um caminho diferente da maioria dos historiadores e aponta que eles saíram dos Ranters, depois que esses foram perseguidos. Acreditavam que Deus estava em cada um de nós, embora não fossem adeptos de práticas de libertinagem como os Ranters.

Não se pode achar que esses Quakers do século XVII pensavam da mesma maneira que os Quakers do século XVIII, os quais se declararam pacifistas e apolíticos (sem entrar num questionamento se isso é possível ou não). No século XVII este grupo era favorável ao conflito militar, inclusive contra Roma. Seu líder mais famoso na época foi George Fox. As idéias Quakers se espalharam com muita facilidade pela Inglaterra, causando grande alarme entre as classes mais reacionárias. Até sua linguagem era considerada desrespeitosa para a época, pois referiam-se as pessoas sem usar pronomes que demonstrassem respeito. Para eles todos eram iguais e isso influenciava até na relação familiar entre pais e filhos. Outro ato marcante dos Quakers foi o recuso a usar chapéus, para não terem que retirá-los na presença de uma autoridade.

Reprimir os Quakers foi um ato difícil para as autoridades, pois eles não constituíram uma organização política, nem tinham um programa político. Todos que seguiam tais idéias foram expulsos do exército e corriam boatos na época que eles dariam um golpe militar. Depois da Restauração os Quakers publicaram um documento chamado Princípio da Paz, onde assumiam uma nova postura rejeitando a política e a atividade militar. Isso gerou grande fragmentação dentro do movimento, muitos Quakers emigraram, outros resolveram lutar até a morte, porém no fim a nova postura Quaker saiu vencedora.

Parte 11: O que mudou com a Revolução:
Baseado no historiador José Jobson Arruda pode-se apontar as transformações que a Revolução Inglesa causou, mudando as estruturas políticas, econômicas e sociais, embora tenha mantido a opressão das camadas mais pobres da população.

Sua grande marca foi a derrubada do regime absolutista para a construção de uma nova monarquia submetida ao parlamento. Os detentores do poder até 1640 foram Rei e aristocracia, posteriormente a Revolução, o poder passou para as mãos da gentry e da burguesia mercantil.

Efetivamente, se a Revolução de 1640 colocou as bases do predomínio político da burguesia, sem dúvida não lhe deu o poder diretamente, pois o predomínio econômico da burguesia se desenvolveu, a princípio, sob o domínio político da nobreza proprietária, para mais tarde a burguesia atingir o poder sob a hegemonia da nobreza e, finalmente, chegar à hegemonia do poder após 1832. (p. 90. ARRUDA, J. A Revolução Inglesa).

A Inglaterra pós-revolucionária era um país diferente. Podemos resumir como principais mudanças: ampliação do mercado pela incorporação da Escócia e da Irlanda; o antigo clero anglicano foi privado de seus bens e de sua autonomia; derrota de seitas radicais; fim das relações feudais; proletarização das relações do campo; aumento dos cercamentos com o fim do protecionismo do Rei aos camponeses; expansão das atividades industriais nos centros urbanos e agressiva política de conquista de mercado externo, iniciada com os Atos de Navegação de 1651.

Com a Revolução Inglesa estava iniciado o ciclo de Revoluções Burguesas. Pela primeira vez a burguesia assumiu o poder e implantou seu projeto político, apoiada nas massas rurais e urbanas, úteis nos momentos mais intensos do processo de ruptura. Estavam quebrados todos os elos com as relações feudais. Nesse ambiente ocorreria a primeira Revolução Industrial do mundo.



FONTES:
ARRUDA, José Jobson. A Revolução Inglesa. (Coleção Tudo é História) São Paulo. Brasiliense. 1999
HILL, Christopher. Virando o mundo de ponta-cabeça: o outro lado da revolução inglesa. Revista Varia História, BH, nº14, set/95.
MELLO, Leonel & COSTA, Luís César. História Moderna e Contemporânea. São Paulo. Editora scipcione. 6ª edição.


Por Vinícius Antunes da Silva;

9 comentários:

  1. como pode deputados federais aumentarem seus salarios em mais de 60 por cento por conta propria em poucas horas ,sendo que o salario minimo no brasil é de 510,oo reais ,isto é humilhar o povo brasileiro ,que nao aguenta mais com estes politicos interesseiros.Cade o patriotismo!vão falir o brasil.alem do aumento dos deputados estaduais e vereadores isto sim é falir o brasil.onde vamos parar?

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  2. Legal o texto - me ajudou a entender o assunto .

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  3. mto bom o texto!! embora eu nao goste mto do Hill, as contruções em cima de suas teses ficaram mto boas, parabéns!

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  4. O testo é mt legal só queria q fosse resumidoo perdii mt meu tempoo

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  5. O texto está ótimo mais...não achei o que eu procurava :S

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  6. quero saber sobre poder executivo,legeslativo e judiciario

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  7. muito bom!! bela abordagem do tema. Obrigado!!

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