sexta-feira, 8 de março de 2013

Antiguidade Tardia



O termo Antiguidade Tardia deve ser analisado observando os vários aspectos vinculados ao binômio política e poder, assim como deve ser analisada também a viabilidade da aplicação do conceito "Antiguidade Tardia" para o período de transição entre os mundos clássico e medieval, que ocorreu entre os séculos III e VIII da era Cristã..

O período classificado como Antiguidade tardia foi explicado por diversos historiadores sob o aspecto político, abrangendo na política os outros aspectos como o social e cultural.  
Dentro da história tradicional, a passagem da Antiguidade Clássica para a Idade Média seria vista e explicada como uma transição entre o fim do Império Romano e o início da Idade Média. Com uma data especifica que se estabeleceu em 476, quando seria deposto o ultimo Imperador do Ocidente.

Esta visão deixa de lado os variados aspectos da realidade social, com suas especificidades e complexidades. Remetendo à ideia de queda, declínio e decadência, que viria a caracterizar a Idade Média como um período de obscurantismo.

Segundo Peter Brown, no prefácio de seu livro o Fim do Mundo Clássico (BROWN,1972), devemos observar as constantes mudanças e as continuidades que ocorreram nesse processo histórico. Ainda segundo Brown – “ver este período como uma melancólica história da “queda e fim do Império Romano” seria muito mais cômodo e simplista, em lugar de se perceber as novidades que começariam neste período”.

O estudo em questão deve compreender como os homens desta época lidaram com as mudanças, tão numerosas e complexas, que vão do social ao econômico. Foi um período dinâmico, que trazia novidades  nas estruturas materiais e sociais, trazendo também uma nova visão de mundo e do sagrado, o que provocaria novos comportamentos na sociedade da época.


Portanto, a Antiguidade Tardia pode ser percebida tanto na antiguidade como na Idade Média, assim como traços da medievalidade já podem ser percebidos na Antiguidade Tardia, fortalecendo assim a ideia de dualidade:  este período já não é “Antigo”, pois não se encaixa no conceito de “Antiguidade Clássica”, mas também não é medieval.

Segundo Le Goff, rotular o translato como “Baixo Império” e “Alto Império” transmite a ideia de decadência, de decrepitude, de algo que foi “alto”, “forte”, “pujante”, e é uma mentalidade caracteristicamente medieval.

Para aqueles que veem esse período como de continuidade e transformação, é um período onde a Antiguidade, sem deixar de ser antiguidade, se transforma.

Para os medievalistas, é a porta de entrada para classificações como “Baixo Império” ou “Alta Idade Média”. O uso, portanto, do termo Antiguidade Tardia, supõe que há uma continuidade de características sociais e culturais da Antiguidade Clássica que permanecem presentes até a Idade Média, eliminando as possibilidades de rupturas nítidas.


Referências Bibliográficas

BROWN. Peter. O fim do mundo clássico. Lisboa: verbo, 1972
de O. (org). Santana do Parnaíba: Solis, 2005, p. 233 a 242.

LE GOFF, J. "Decadência e progresso/reação". In: ROMANO, R. (org.). Enciclopédia
Einaudi; memória/história. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984, p.335

Profª Rosilene Lacerda de Luna


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